sábado, 16 de março de 2013

A Escolha de Seu Par


Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher.

Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres.

Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar.

Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress.

A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par.

Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile.

As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam.

Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher.

O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de "ficar", o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre.

Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero.

Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o "ficar" descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.

Fonte: Revista Veja 2004, página 22

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional das Mulheres


Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ele exista? E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você? E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento? E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? 

As mulheres são mães! E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em gerar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravasam? Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir uma a outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem? Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens. En-fei-ti-çam! E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim. O amor as leva para perto dele, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.

É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres - anjos que têm ao lado.

Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora.

Autor: Luis Fernando Veríssimo

Feliz Dia das Mulheres!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Caminho do Guerreiro


A magia que os antigos chamavam de santo reino ou Reino de Deus, sanctum regno, só é feita para os reis e sacerdotes. Os reis da Ciência são sacerdotes da Verdade e seu reino fica oculto para a multidão. Os reis da Ciência são os homens que Conhecem a Verdade e que a Verdade tornou livres [1].

Um homem vai para o conhecimento como vai para a guerra, bem desperto, com medo, com respeito e com uma segurança absoluta [2].

Nem todos os Homens de Conhecimento são feiticeiros mas todo feiticeiro tem de ser, antes, um homem de Conhecimento e o Conhecimento somente pode ser conquistado por meio da disciplina do Caminho do Guerreiro. Em linhas gerais, esse Caminho exige quatro Atitudes:

RESPEITO. Pelo Conhecimento que adquire ao longo de seu treinamento, respeito por todas as criaturas do mundo, respeito por si mesmo.

TER MEDO.  Aceitar o medo, reconhecer o medo e enfrentar o medo.

Estar DESPERTO. Significa estar atento, manter a percepção aguçada em relação a todos os aspectos de uma situação ou realidade.

CULTIVAR ATÉ POSSUIR uma CONFIANÇA inabalável em si mesmo. Os homens de pouca fé, jamais caminharão sobre as águas...

Para o ocultista ocidental europeizado, também existem uatro regras indispensáveis para chegar a possuir a Ciência (Conhecimento) e Poder dos Magos, regras que somente um Guerreiro determinado consegue observar:

Uma inteligência esclarecida pelo estudo.

Uma audácia que nada faz parar.

Uma Vontade que nada pode quebrar ou enfraquecer.

Uma discrição que nada pode corromper.

Estas regras são resumidas pelo mestre Eliphas Levi em quatro palavras: Saber, Ousar, Querer, Calar... Eis os quatro verbos do Mago. Estes quatro verbos podem combinar-se de quatro modos [3].

As atitudes de guerreiro estão relacionadas ao Conhecimento transcendente da Realidade porque este tipo de Conhecimento exige:

Ousadia e coragem;

O saber instintivo inicial de que o mundo e a realidade são muito mais, algo além do que pode ser percebido pelas aparências;

Um caráter ou modo de ser repleto do mais rigoroso sentido de valor de dignidade e honra que nunca faz concessões à mediocridade das soluções mais fáceis, que nunca se vende;

Uma disciplina impecável em práticas de treinamento (inclusive de preparação física) que jamais serão suficientes, são diárias, obrigatórias; práticas para a vida inteira.

Assim, quando um ser humano, homem ou mulher, resolve buscar o Conhecimento sobre-humano ele está fazendo uma escolha que significa trilhar um caminho árduo, frequentemente solitário e perigoso.

Escolher seguir esse caminho é escolher ir para a guerra. Uma guerra sem tiros e bombas, na qual os inimigos serão os apelos piegas de todos aqueles cruzam o caminho do guerreiro e, perplexos, não compreendem suas atitudes, sua sobriedade, sua recusa diante de situações, privilégios, mimos, confortos que seduzem a grande maioria dos mortais.

O guerreiro diz NÃO, quando os outros dizem SIM! Não ao casamento convencional, não ao emprego convencional, não aos hábitos convencionais, não aos vícios da carne/corpo (alimentos preferidos, sexo, drogas e sono, por exemplo), não às mordomias ainda que tenha se tornado rico.

Porque o guerreiro sabe que entregar-se a essas "facilidades" ou "tentações" significa tornar-se escravo do corpo, vulnerável a tudo que, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, vai transformá-lo em um fraco destruindo ou, no mínimo, adormecendo todo o poder conquistado. Um guerreiro domina seu corpo, jamais é dominado por ele.

C. Castaneda, compara a formação de um guerreiro ao aprendizado de um caçador cujas principais estratégias são:

Ser impecável em todas as suas ações e disciplinas;

Estar sempre alerta, sempre pronto para o combate. Nada pode surpreender ou assustar um guerreiro por mais de uma fração de segundo.

Não possuir rotina porque, assim, o guerreiro torna-se imprevisível.

Alcançar o completo desapego a toda sua história pessoal vivida antes de começar a trilhar o Caminho do Guerreiro. Desapego em relação à família, aos amigos, ao mundo convencional e, apesar de desapegado, ainda ser capaz de amar sinceramente, principalmente as pessoas. Porque o amor não implica posse, controle, proximidade intermitente e apego.

Desapego do mundo convencional, "normal", porém sem esquecer seu sistema, seu modo de funcionamento porque conhecer bem a normalidade do mundo é útil na hora de agir em inúmeras ocasiões. O guerreiro conhece as estratégias, a linguagem do mundo das convenções, mas o mundo das convenções não conhece as estratégias nem a linguagem do guerreiro.

O desleixo, a desatenção, a rotina, o apego e mesmo a própria identidade e a identidade dos seres amados pelo guerreiro, tudo isso é "calcanhar de Aquiles"; são pontos fracos que sempre poderão ser utilizados contra o guerreiro, para torná-lo refém de suas afeições.

Ou seja, um guerreiro não deixa pegadas no caminho, não morde iscas, conhece-as de longe. Suas atitudes não podem ser previsíveis porque isso o torna vulnerável e vulneráveis as pessoas que ele ama ou pretende proteger e ajudar.

Seguindo as Leis do Caminho o guerreiro torna-se inacessível e ninguém pode encontrá-lo a menos que ele queira. 

"Ninguém sabe o seu nome... assim, a morte não o encontra"
Waterworld, o filme

[1] LEVI, Dogma e Ritual da Alta Magia, pg. 72, 1983

[2] CASTANEDA, pg. 25, 1968

[3] LEVI, 1985

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Equivalência da Forma


No século XXI as mídias democratizaram a informação. Uma informação se espalha como rastilho de pólvora e a facilidade de se correlacionar sabedorias diferentes, comparando duas páginas de internet acabou por simplificar o processo. Exige-se muito menos tempo do que no passado, quando pesquisas duravam uma infinidade de tempo.

O lado negativo disso, chama-se "autodidatismo". A pessoa acha-se capaz de apreender todo e qualquer conhecimento simplesmente porque fez uma pesquisa na internet ou leu alguns pares de livros. Por isso, vejo pessoas que ao invés de dedicar-se a aprender ocultismo ou qualquer religião de fato, preferem unicamente consultar uma ou outra fonte, acreditando piamente que podem revelar o que os sábios demoram tempos razoáveis para adquirir, até que pudessem transmitir aos seus alunos.

Na cabala, há um conceito que os sábios nos transmitem há milhares de anos, que hoje é chamado de equivalência da forma. Acredito que esse conceito se aplique a qualquer texto de características magísticas, como a Torá, a Bíblia, o Tao, o Talmud, o Zohar, entre outros. Tais textos foram escritos por pessoas que estavam sob efeito de forte Ruach Hakodesh (Inspiração Divina), o que nos leva simplesmente à conclusão que existem códigos em seus escritos. É verdade que todo código pode ser quebrado, mas trata-se de algo tão engenhoso, que os mistérios para a revelação e entendimento da sabedoria ocultos nestes livros, não são algo que estão fora e sim, dentro do "decodificador".

Proponho um exemplo: imagine que você ama uma mulher, e que ela não sabe nada disso. Você a admira pela cultura que ela tem, porque é inteligente, se comunica bem e aprecia música clássica. Sabe falar sobre várias coisas, em especial cinema, literatura e teatro. É muito correta com os assuntos do trabalho e em todas as ocasiões possíveis está folheando um livro. Você então se olha e constata que odeia ler, não é interessado em cinema, música, assim como acha teatro um saco. Está num trabalho por falta de opção melhor, o que o torna extremamente desleixado com os assuntos dele. Não estou dizendo que você precisa ser idêntico à pessoa para que se apaixonem, mas é preciso ter uma proximidade e questões internas afins, isto é o caminho para a equivalência de forma.

Então você aprende que se realmente quiser se aproximar da mulher de seus sonhos, você só tem uma opção. Buscar as qualidades que lhe faltam e que podiam causar interesse nela, e as qualidades que você já possui você precisa refiná-las, até que levem automaticamente à uma proximidade. Com certeza as suas chances sairão de 0% para algo mais elevado. Pode ser que você não conquiste essa mulher, mas certamente abrirá as portas para alguém semelhante na sua vida.

A verdade é que usei um exemplo cotidiano para explicar algo profundamente espiritual. Em Cabala para que possamos desvendar certos códigos, é necessário que nos aproximemos do alvo a ser desvendado. Se pegarmos um livro como o Zohar, para entendê-lo não se trata somente de uma questão de leitura, mas sim uma aproximação espiritual com o autor daquele livro. Isto significa que é preciso que eu tenha uma aproximação com as qualidades daquele autor, para que possa de fato vir a compreendê-lo.

Mas como posso compreender ou provocar um estado que vai me levar até a equivalência de forma com os autores desses livros, se eu nem ao menos conheço as características espirituais que eles cultivavam? Aí entra o papel do Rav (Mestre). Tendo ele percorrido tal caminho, ele será capaz de evocar situações, através das quais estes estados serão atingidos, até que você vai ler o livro ou partes dele, uma, duas, três vezes, sentindo que em cada lida, um novo véu está sendo revelado. Aí, a equivalência de forma vai acontecendo e quanto mais eu cultivo em mim as características daqueles sábios, mais eu os compreendo e mais o conteúdo transmitido por eles fica claro.

No final das contas, tudo no universo nos "empurra" para a equivalência de forma, já que o objetivo final do ser humano é a similaridade com Deus. Até que sejamos tão parecidos com ele em qualidades espirituais, até o ponto em que não haja eu ou Deus e sim, nós. Como na matemática cabalística: 1 + 1 = 1.

domingo, 4 de novembro de 2012

A Busca do "Eu"


Quando cumprimos a vontade de nosso verdadeiro Eu, nós estamos inevitavelmente cumprindo com a vontade do universo. Na magia ambas as coisas são indistinguíveis. Cada alma humana não é, de fato, UMA alma humana: é a alma do universo inteiro. E, enquanto você cumprir a vontade do universo, é impossível fazer qualquer coisa errada.

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com "E" maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é particularmente a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura. Creio que é por isso que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e pode ser vista como uma tentativa deliberada de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um Eu superior, e então ter que mantê-lo.

Tenho estudado a escola da história do pensamento mágico e o ponto em que começou a dar errado. No meu entender, o ponto em que começa a dar errado é com o monoteísmo. Quero dizer, se olhar a história da magia, verá suas origens nas cavernas, verá suas origens no xamanismo, no animismo, na crença de que tudo o que te rodeia, cada árvore, cada rocha, cada animal foi habitado por algum tipo de essência, um tipo de espírito com o qual talvez possamos nos comunicar. E ao centro você tinha um xamã, um visionário, que seria o responsável por canalizar as idéias úteis para a sobrevivência. No momento em que você chega às civilizações clássicas, verá que tudo isto foi formalizado até certo grau. O xamã atuava puramente como um intermediário entre os espíritos e as pessoas. Sua posição na aldeia ou comunidade, imagino, era a de um "encanador espiritual". Cada pessoa no grupo devia ter seu papel: A melhor pessoa durante uma caçada tornava-se o caçador, a pessoa que era melhor pra falar com os espíritos, talvez porque ele ou ela estivesse um pouco louco, um pouco separado do nosso mundo material normal, eles tornavam-se os xamãs. Eles não seriam mestres de uma arte secreta, mas sim os que simplesmente espalhariam sua informação pela comunidade, porque se acreditava que isto era últil para todo o grupo. Quando vemos o surgimento das culturas clássicas, tudo isso se formalizou para que houvesse panteões de deuses, e cada um destes deuses tinha uma casta de sacerdotes, que até certo ponto atuariam como intermediários, que te instruiriam na adoração a estes deuses. Então, a relação entre os homens e seus deuses, que pode ser vista como a relação entre os humanos e seus "Eus" superiores, não era todavia de um modo direto.

Quando chega o cristianismo, quando chega o monoteísmo, de repente tem uma casta sacerdotal movendo-se entre o adorador e o objeto de adoração. Tem uma casta sacerdotal convertendo-se em uma espécie de gerência intermediária entre a humanidade e a divindade que está se buscando. Já não se tem mais uma relação direta com os deuses. Os sacerdotes não têm necessariamente uma relação com Deus. Eles só têm um livro que fala sobre gente que viveu há muito tempo atrás que teve relação direta com a divindade. E assim está bom: Não é preciso ter visões milagrosas, não é preciso ter deuses falando contigo. Na verdade, se você tem algo disto, provavelmente está louco. No mundo moderno, essas coisas não acontecem; as únicas pessoas as quais se permite falar com os deuses, e de um modo unilateral, são os sacerdotes. E o monoteísmo é, pra mim, uma grande simplificação. Eu quero dizer, a Cabala tem uma grande variedade de deuses, mas acima da escala, da Árvore da Vida, há uma esfera que é o Deus Absoluto, a Mônada. Algo que é indivisível, você sabe. E todos os outros deuses, e, de fato, tudo mais no universo é um tipo de emanação daquele Deus. E isto está bem. Mas, quando você sugere que lá está somente esse único Deus, a uma altura inalcançável acima da humanidade, e que não há nada no meio, você está limitando e simplificando o assunto.

Eu tendo a pensar o paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de idéias, enquanto o monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, que quem a emite nem sequer a entende.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Imagine em Quadrinhos


O artista mexicano Pablo Stanley fez uma ótima versão em quadrinhos da música Imagine, de John Lennon.

domingo, 7 de outubro de 2012

O que aconteceu com o Coringa depois de The Dark Knight


Após a morte de Heath Ledger, e após o sucesso na interpretação do vilão em The Dark Knight, todos já estavam preocupados na saída do cinema de que seria quase impossível continuar a história do Coringa. O ator moldou um personagem perfeito para muitos fãs, coisa rara em adaptações de HQs para o cinema.

E então em outubro de 2008, logo após o lançamento de TDK, o ator Scott McClure iniciou um projeto chamado The Joker Blogs, que conta a vida do Coringa após sua prisão e o cumprimento da pena no Asilo Arkham, e o tratamento psicológico com a Doutora Harleen Quinzell (sim, a Harley Quinn).

O mais legal disso tudo é que o ator não fez a sua própria versão do Coringa  e sim, atuou o mais próximo possível do Coringa interpretado por Heath Ledger… em alguns momentos você até esquece que não é o Heath ali e imagina que aquilo possa ser mesmo o que tenha acontecido com o personagem depois do filme. Tudo é muito parecido: a maquiagem, o jeito, a voz (principalmente a voz, ela é o principal fator que fez o trabalho ficar animal).

Enfim, agora vou parar de falar e deixar vocês verem com os próprios olhos, aproveitem três episódios de "The Joker Blogs":

Episódio 01 – A terapia começa


Episódio 02 – Limites de Arkham


Episódio 03 – Conhecendo o Steve


Infelizmente, só esses três episódios estão legendados no momento. A série que vai ter uma segunda temporada ainda esse ano, tem mais de vinte  episódios, todos nesse canal aqui: The Joker Blogs. Quem quiser ver o restante deles em inglês mesmo, fique a vontade.