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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Os Deputados Somos Nozes

A etimologia da palavra "senado" nos remete à Roma Antiga; vem do latim senatus, a "assembléia dos anciões". Já a palavra "deputado" vem de deputatus, que significa "designado para purificar ou resolver uma situação". Não vou escrever o que estou pensando pois acredito que o(a) leitor(a) esteja pensando o mesmo que eu; e sim, trata-se da mesma raiz da palavra.

Historicamente, os deputados são os representantes do povo e devem expressar sua vontade e agir como tal. E comportam-se de maneira idêntica à maneira que parte significativa do povo agiria: enriquecendo ilicitamente, gozando de informação privilegiada, prevaricando e sendo nepotista.

Da mesma forma, assim como os seus representados, muitos são ignorantes. Alguns candidatos que foram submetidos aos testes da Justiça Eleitoral para comprovar a capacidade de ler, escrever e interpretar, continuam na disputa, mesmo tendo respondido alguns absurdos nas provas.

 
A câmara e a assembléia são uma imagem do povo. Quer melhorar o quadro político? Comece melhorando a si mesmo. Afinal, no fundo, os deputados somos nozes.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Regra de Ouro

Budismo:
Não firas os outros de um modo que não gostarias de ser ferido. 
Udanda-Varqa 5:18

Zoroasterismo:
Aquela natureza só é boa quando não faz ao outro aquilo que não é bom para ela propria.
Dadistan-i Dinik 94:5

Judaísmo:
O que te é odioso, não faças ao teu semelhante. Esta é toda a Lei, o resto é comentário.
Talmude, Shabbat 31a

Hinduísmo:
Esta é a soma de toda a verdadeira virtude: trate os outros tal como gostarias que eles te tratassem. Não faças ao teu próximo o que não gostarias que ele depois fizesse a ti.
Mahabharata

Cristianismo:
O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.
Lucas 6:31

Islamismo:
Nenhum de vós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo.
Sunnah

Taoísmo:
O homem superior deve apiedar-se das tendências malignas dos outros; olhar os ganhos deles como se fossem seus próprios, e suas perdas do mesmo modo.
Thai-Shang

Confucionismo:
Eis por certo a máxima da bondade: não faças aos outros o que não queres que façam a ti.
Analectos XV,23

Fé Bahá'í:
Não desejar para os outros o que não deseja para si próprio, nem prometer aquilo que não pode cumprir.
Gleenings

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Defeitos Genéricos

A chegada do frio traz consigo uma onda de doenças, sobretudo as respiratórias. Mas nenhuma delas é párea para a "virose". Está com tosse? É virose. Diarréia? Virose. Cefaléia? Virose! A virose é o que se pode chamar de diagnóstico de amplo espectro; um santo remédio para a dor de cabeça dos médicos. O paciente foi diagnosticado, não há muito o que possa ser feito e vai embora conformado em esperar os anticorpos reagirem.

A medicina não é a única área do saber que se utiliza da obscura técnica de disfarçar o não saber. No jornalismo esportivo, o "nó tático" é boa justificativa para o por que do revés no jogo. Em economia, o "mau humor do mercado" explica (!) por que perdemos dinheiro.

Na informática, o equivalente para a virose é a queda do servidor. "Alô, não estou conseguindo acesso". "Sinto muito senhor, o servidor caiu". Ninguém está disposto a verificar milhares de linhas de código atrás de encontrar um pequeno vazamento de memória que, com o passar dos dias, resulta na queda da aplicação. É mais fácil reiniciar o servidor de tempos em tempos e o problema "desaparece". Esquecemo-nos que, às vezes, os sintomas não desaparecem por si só. O HPV é uma virose que está relacionada com o câncer de colo do útero. Também, reiniciar o servidor pode não resolver o problema. Segundo a Folha de São Paulo, a Telefônica confirmou um problema de conexão em São Paulo que prejudica inclusive os registros da polícia. O prazo para normalização é indefinido.

Você e eu sabemos porque isso acontece. Falta "vontade política".

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O Reino Perdido do Beleléu

Um dos lugares mais facinantes que minha imaginação conhece é o Beleléu. Quando perdemos alguma coisa, dizemos que foi pro Beleléu. É lá que está o meu bonequinho do Batman, o seu cortador de unha, o brinco daquela menina e, mais recentemente, o título da Copa do Brasil do Coringão.

E é para lá também que vai o nosso dinheiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, trabalhamos até o dia 27 de maio exclusivamente para o pagamento de tributos. Faça as contas: são 4 meses e 27 dias, um total de 147 dias do ano.

A relação de coisas não pára por aí: no Beleléu está a educação, a saúde e a segurança que compramos com o dinheiro dos tributos. O governo brasileiro taxa muito e usa mal o dinheiro; corta investimentos e mantém despesas.

O jeito é me mudar para o Beleléu. Lá, meu time é campeão.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Conquista do Espaço

Se há algo que me soa estranho na Constituição Federal, esse algo é o Art. 14. E é assim que dispõe o Art. 14, incisos e parágrafo primeiro:

"A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:

I – plebiscito;
II – referendo;
III – iniciativa popular.

§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:

I – obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II – facultativos para:
a ) os analfabetos;
b ) os maiores de setenta anos;
c ) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos."

A lei maior da União coloca que o voto é obrigatório para os maiores de dezoito e menores de setenta anos. Ora, sabemos que a participação eleitoral da maioria em virtude da obrigatoriedade do voto é um mito. Países desenvolvidos onde o voto é exclusivamente um direito tem maiores índices de participação do eleitorado do que aqui, onde o voto é uma junção direito-dever. Além disso, o voto facultativo melhora a qualidade do pleito pela participação de eleitores em sua maioria, motivados. Em suma: o voto dado espontaneamente é mais vantajoso para a definição da verdade eleitoral.

Outro fator que melhoraria a qualidade do voto é a conscientização dos eleitores. Como já discorri no artigo Iguais, Mas Diferentes, o fato de alguns direitos precisarem ser conquistados não é ruim. Para exercer a advocacia, não basta o bacharelado em direito; é necessário o ingresso na Ordem dos Advogados do Brasil. Para dirigir, o motorista precisa estar habilitado. Dar o direito ao voto de presente de aniversário é insanidade. É pôr faca na mão de criança: ela pode se machucar e também às pessoas a sua volta.

Às vezes a população se choca com notícias como o caso da menina Isabella, que está em voga. É claro que um assassinato é repugnante e é natural se chocar. O que não é natural é não se abalar com casos de corrupção. A corrupção desvia dinheiro público de todos os setores, inclusive daqueles onde a falta de investimento mata. E mata muitos de uma vez. Logo, o voto inconsciente é inconseqüente e pode, indiretamente, matar. Por esse motivo, considero que deveríamos ter um exame sério (gratuito, para que todos os interessados pudessem participar) ao qual o aspirante a eleitor deveria se submeter antes de receber o título de eleitor. Quer votar? Você pode. Mas primeiro, conquiste seu espaço.

quinta-feira, 27 de março de 2008

A Institucionalização da Burrice

Fui chamado de bom, de bonzão, e isso é mau. Uma palavra que deveria ser usada para designar uma virtude pessoal foi usada de maneira oposta, em tom jocoso.

Essa inversão de valores é cada vez mais freqüente. Aquele que tem apreço pela leitura é nerd; o que não estuda é cool. Ter inteligência torna o indvíduo impopular numa terra em que a pobreza é sinônimo de humildade. Educação e riqueza aumentam as possibilidades de desenvolvimento, mas agridem. Uma pessoa culta e bem sucedida rompe um implícito pacto de mediocridade que limita o já estreito senso crítico do povo brasileiro.

O governo por sua vez, através de mecanismos como a aprovação automática nas escolas públicas, me faz crer que não pretende mudar essa deturpação de conceitos já institucionalizada. Um povo inculto é dócil politicamente e, tendo orgulho da condição, não faz por mudá-la.

Não é de se espantar que isso ocorra em uma República onde o presidente gaba-se de ser semi-alfabetizado. Semi-alfabetizado para ele. Eu, que prefiro insultar, o considero semi-analfabeto.

Para finalizar: no sentido em que foi dito, ser bom é relativo, isto é, depende do referencial. E o referencial é péssimo.

terça-feira, 18 de março de 2008

Panis et Circenses

Séculos atrás, praticamente todo o mundo conhecido era governado pelos césares romanos. Esses auto-denominados deuses mantinham a população controlada sob um esquema que ficou conhecido como política do pão e circo - em latim, panis et circenses. Era uma maneira perversa de afastar os plebeus das questões sociais e políticas.

Essa política consistia em matar a fome do povo com pão e entretê-lo com espetáculos em circos e arenas como o Anfiteatro Flaviano, o chamado Coliseu. Entre as atrações, uma particularmente cruel era o assassínio de cristãos, caçados vivos pelos leões.

E é assim que este que lhes escreve sente-se nos dias de hoje. Caçado vivo pelo leão do imposto de renda com sua fome arrecadatória, que controla o povo valendo-se de uma política assistencialista - bolsa-esmola - e o diverte com o circo da televisão digital. Ave, Lula!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Iguais, Mas Diferentes

Uma das mentiras que mais foram marteladas na cabeça dos cidadãos brasileiros é que todos são iguais perante a lei. Pergunte à seus amigos se isso é verdade e a resposta virá em um uníssono sim. Mas a verdade é que todos os iguais são iguais perante a lei, isto é, a norma legal se aplica, teoricamente, de maneira igual para aqueles que são iguais. Por essa razão, eu e muito provavelmente você, não temos direito ao foro privilegiado, mas todos os nossos nobres deputados o têm, pois todos eles são iguais na condição de parlamentares. Valendo-se da mesma prerrogativa, policiais têm direito a cela separada dos detentos comuns e réus primários têm a pena abrandada em relação aos não-primários.

Note bem: é justo separar os iguais. É isso que garante aos idosos prioridade no uso dos assentos reservados dos transportes coletivos. Se valesse a idéia de que todos somos iguais, qualquer um poderia reclamar seu direito de usar esses assentos.

Um detalhe importante é que não está exclusa a possibilidade de usufruirmos dos direitos dos nossos "desiguais". Ao completarmos sessenta e cinco anos passamos a ter prioridade no uso do assento reservado. Da mesma maneira, podemos nos eleger deputados e gozar (rá!) dos mesmos direitos.