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sábado, 16 de março de 2013

A Escolha de Seu Par


Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher.

Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres.

Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar.

Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress.

A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par.

Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile.

As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam.

Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher.

O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de "ficar", o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre.

Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero.

Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o "ficar" descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.

Fonte: Revista Veja 2004, página 22

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional das Mulheres


Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ele exista? E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você? E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento? E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? 

As mulheres são mães! E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em gerar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravasam? Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir uma a outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem? Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens. En-fei-ti-çam! E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim. O amor as leva para perto dele, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.

É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres - anjos que têm ao lado.

Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora.

Autor: Luis Fernando Veríssimo

Feliz Dia das Mulheres!

domingo, 4 de novembro de 2012

A Busca do "Eu"


Quando cumprimos a vontade de nosso verdadeiro Eu, nós estamos inevitavelmente cumprindo com a vontade do universo. Na magia ambas as coisas são indistinguíveis. Cada alma humana não é, de fato, UMA alma humana: é a alma do universo inteiro. E, enquanto você cumprir a vontade do universo, é impossível fazer qualquer coisa errada.

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com "E" maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é particularmente a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura. Creio que é por isso que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e pode ser vista como uma tentativa deliberada de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um Eu superior, e então ter que mantê-lo.

Tenho estudado a escola da história do pensamento mágico e o ponto em que começou a dar errado. No meu entender, o ponto em que começa a dar errado é com o monoteísmo. Quero dizer, se olhar a história da magia, verá suas origens nas cavernas, verá suas origens no xamanismo, no animismo, na crença de que tudo o que te rodeia, cada árvore, cada rocha, cada animal foi habitado por algum tipo de essência, um tipo de espírito com o qual talvez possamos nos comunicar. E ao centro você tinha um xamã, um visionário, que seria o responsável por canalizar as idéias úteis para a sobrevivência. No momento em que você chega às civilizações clássicas, verá que tudo isto foi formalizado até certo grau. O xamã atuava puramente como um intermediário entre os espíritos e as pessoas. Sua posição na aldeia ou comunidade, imagino, era a de um "encanador espiritual". Cada pessoa no grupo devia ter seu papel: A melhor pessoa durante uma caçada tornava-se o caçador, a pessoa que era melhor pra falar com os espíritos, talvez porque ele ou ela estivesse um pouco louco, um pouco separado do nosso mundo material normal, eles tornavam-se os xamãs. Eles não seriam mestres de uma arte secreta, mas sim os que simplesmente espalhariam sua informação pela comunidade, porque se acreditava que isto era últil para todo o grupo. Quando vemos o surgimento das culturas clássicas, tudo isso se formalizou para que houvesse panteões de deuses, e cada um destes deuses tinha uma casta de sacerdotes, que até certo ponto atuariam como intermediários, que te instruiriam na adoração a estes deuses. Então, a relação entre os homens e seus deuses, que pode ser vista como a relação entre os humanos e seus "Eus" superiores, não era todavia de um modo direto.

Quando chega o cristianismo, quando chega o monoteísmo, de repente tem uma casta sacerdotal movendo-se entre o adorador e o objeto de adoração. Tem uma casta sacerdotal convertendo-se em uma espécie de gerência intermediária entre a humanidade e a divindade que está se buscando. Já não se tem mais uma relação direta com os deuses. Os sacerdotes não têm necessariamente uma relação com Deus. Eles só têm um livro que fala sobre gente que viveu há muito tempo atrás que teve relação direta com a divindade. E assim está bom: Não é preciso ter visões milagrosas, não é preciso ter deuses falando contigo. Na verdade, se você tem algo disto, provavelmente está louco. No mundo moderno, essas coisas não acontecem; as únicas pessoas as quais se permite falar com os deuses, e de um modo unilateral, são os sacerdotes. E o monoteísmo é, pra mim, uma grande simplificação. Eu quero dizer, a Cabala tem uma grande variedade de deuses, mas acima da escala, da Árvore da Vida, há uma esfera que é o Deus Absoluto, a Mônada. Algo que é indivisível, você sabe. E todos os outros deuses, e, de fato, tudo mais no universo é um tipo de emanação daquele Deus. E isto está bem. Mas, quando você sugere que lá está somente esse único Deus, a uma altura inalcançável acima da humanidade, e que não há nada no meio, você está limitando e simplificando o assunto.

Eu tendo a pensar o paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de idéias, enquanto o monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, que quem a emite nem sequer a entende.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Desvirtuamento dos Jogos Olímpicos

Os jogos olímpicos ressurgiram pela ação do Barão Pierre Coubertin, educólogo que acreditava no esporte como parte da educação de todo jovem.

"Mens sana in corpore sano", mente sadia num corpo sadio.

A ideia nunca foi valorizar o esporte como fim, mas como um complemento.

A ideia era ter profissionais de várias áreas com saúde e corpo atlético, e nunca profissionais do esporte como um fim por si mesmo.

O que era uma ação pedagógica para incentivar jovens a fazer mais esporte, infelizmente se tornou ao longo destes anos uma política pública governamental para mostrar a "superioridade e a riqueza das nações".

Governos de todos os tipos, nacionalistas, socialistas e democráticos começaram a financiar jovens a se tornar esportistas profissionais.

Os mais notórios exemplos foram Cuba, China e União Soviética, que procuravam e contratavam jovens geneticamente adequados para fazer parte de seus exércitos, mas em vez de serem treinados em defesa, treinavam para os jogos olímpicos em tempo integral.

Jogando fora a ética e o espírito das Olimpíadas ganhavam medalhas de esportistas amadores.

Os Estados Unidos logo vieram atrás.

Faculdades privadas nos Estados Unidos começaram a admitir nas melhores escolas do país jovens com aptidão atlética, e não necessariamente com aptidão acadêmica.

Atletas americanos ganham bolsas de estudo, mas estudo não era o que se demandava deles. A frase mudou para "Corpore Sano mas mente de ostra".

Para estes atletas bolsistas eram criados cursos fáceis que exigiam pouco estudo, para que pudessem treinar para as Olimpíadas em tempo integral.

Outros esportes menos conhecidos, os esportistas precisam de "patrocinadores" senão não têm condições de treinar como precisam.

Esta "profissionalização" disfarçada vai de encontro ao espírito olímpico, porque esporte era um complemento à vida acadêmica e não um fim em si mesmo.

E a partir de 1970, estes esportistas profissionais passaram a ser admitidos nos jogos olímpicos oficialmente, algo que até então era proíbido.

Cederam aos países não éticos, que viam nos Jogos Olímpicos uma forma de se mostrar superiores aos demais.

Rafael Nadal é o campeão olímpico de 2008, única competição que ele disputa sem o objetivo lucro, o que é uma enorme hipocrisia da parte dele.

A final de tênis Federer x Smith foi uma reprise de Wimbledon, onde só tem profissionais. 

Felizmente, o Comitê Olímpico aprovou os Jogos Olímpicos da Juventude.

O primeiro foi em 2010, e são estes jogos que mantêm a chama olímpica viva, para jovens de 14 a 18 que ainda não caíram no profissionalismo egoísta do esporte como fim.

Precisamos dar mais atenção aos Jogos da Juventude e proibir aqueles esportistas que só se dedicam ao esporte e nada mais, pagos para aumentar o seu status profissional com dinheiro do contribuinte.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Importância de uma Boa Pergunta

Hein? É isso mesmo: as respostas que me desculpem, mas uma boa pergunta é fundamental.

Que pergunta você faria se encontrasse com um dos grandes Mestres da humanidade? Eu confesso que teria dificuldades em perguntar.

As pessoas passam a vida em busca de respostas, todavia de modo confuso e desordenado. Queremos na verdade um milhão de informações, quando precisamos de apenas uma: a resposta a uma boa pergunta. Questionamento em demasia é uma das coisas que os Mestres do Oriente mais condenam nos ocidentais. Perguntamos sobre tudo, várias vezes, o tempo todo. No Oriente se espera que as pessoas aprendam pela prática de seus exercícios e estudos, no decorrer de um longo período de tempo.

Um pouco desse comportamento justifica-se pela maneira como vivemos. Passamos a vida colecionando informações desnecessárias. E hoje, com a sofisticação das comunicações, somos bombardeados com muito mais informação do que precisamos para tomar nossas decisões. De fato, saber selecionar informações úteis será o grande desafio deste século.

Outro problema a ser enfrentado é que na maioria das vezes em que procuramos alguma resposta, na verdade buscamos a confirmação de algo que já temos na mente. Perguntar algo com o espírito sereno e imparcial é uma das coisas mais difíceis para os seres humanos. Perguntar, esperando uma determinada resposta, conduz muitas vezes à desilusão e à frustração. O perguntador sincero aguarda a resposta sem expectativas.

Ao buscar alguma informação pense sempre na pergunta. Ela deve ser clara, simples e conduzir a uma resposta adequada. Sim, existem perguntas que originam respostas confusas que não esclarecem nada. Sempre que receber uma resposta estranha ou inadequada pense se a pergunta foi bem formulada. Afinal, quem pergunta o que quer, ouve o que não quer.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Mulheres Ganham 30% a Menos do Que os Homens?

Corre de tempos em tempos uma lenda urbana de que empresas, "corporações" e empresários deliberadamente discriminam mulheres e pagam 30% a menos pelo mesmo trabalho feito por uma mulher do que pagam para um homem.

São pesquisas feitas por Universidades sérias, por sociólogos, antropólogos e economistas do trabalho. O que impressiona é como estas pesquisas são aceitas pela imprensa mundial, sem pestanejar.

Por isto, insisto que todo jornalista faça um MBA para poder fazer as perguntas relevantes antes de sair publicando pesquisas por aí.

Um MBA perguntaria de cara: Por que as empresas pagariam 42% a mais para contratar um homem quando uma mulher faria a mesma coisa, por um preço bem menor?

Nem sabem calcular estes 42%. De onde veio, você sabe? Não continue se não souber. Matricule-se.

E o que é mais impressionante, mais 42%, uma estatística muito mais forte jornalisticamente e mais chamativa do que menos 30%.

Um salário de R$ 1.000 dividido por R$ 700 é igual 42% minha gente, muito mais chamativo do que R$ 700 dividido por R$ 1.000 - 1, que é 30%.

Os defensores da causa feminista não são bons em números, e isto é preocupante.

Voltando à questão. Por que empresários gananciosos, ávidos de lucros, imbuídos de espíritos animais segundo estas mesmas economistas, contratariam só homens pagando 42% a mais?

Se existisse este tal espírito animal, administradores prefeririam ser rodeados somente de mulheres e não homens, evitando 42% de custos adicionais.

Fico muito assustado quando vejo um Obama e um Congresso Brasileiro passarem leis baseadas em pesquisas como estas, que não tem nem pé nem cabeça.

O que está de fato acontecendo?

Vejamos a profissão de taxistas.

Mesma profissão, mesmas ruas, mesmas horas de trabalho, e de fato mulheres ganham 15% a menos do que homens. Isto porque mulheres preferem não fazer o período noturno com a bandeira 2 suplementar, que varia de cidade em cidade.

Engenheiras da Petrobras ganham menos do que seus companheiros porque elas preferem não trabalhar nas plataformas marítimas, onde se ganham várias vantagens extras, em troca de ficar longe da família.

Mulheres tendem a evitar posições de risco. Homens solteiros são mais atirados e mais estressados, por sinal.

Em contrapartida, mulheres vivem 9% mais do que os homens, o que por sinal aumenta o custo atuarial de se contratar uma mulher.

Mulheres possuem várias vantagens trabalhistas devido à gravidez, meses onde ela recebe mas não trabalha. Isto aumenta o custo de se contratar uma mulher, custo que deveria ser dividido com o marido e não somente com a empresa, mas não o é.

Uma mulher que tenha 3 a 4 filhos, pode custar 9% a mais do que um homem, por meses trabalhado.

Do ponto de vista econômico, o consumidor não está disposto a pagar 9% a mais pelos produtos da empresa X, só porque as funcionárias decidiram ter mais filhos do que as funcionárias de uma empresa chinesa.

Em 2007, a Academia de Administração Americana publicou uma pesquisa de uma economista do trabalho, Francine Blau, onde ajustando por anos de estudo, cargo, raça, indústria e ocupação, mulheres ganhavam 91% do que ganhavam os homens. Ou seja, 9% a menos e não 30%.

Empresas americanas pagam sim 10% a mais para contratar um homem do que uma mulher, porque assim evitam pagar maiores custos atuariais, custos com gravidez, creches obrigatórias, e assim por diante.

Portanto, acredito que o mercado ajusta o preço entre mulheres e homens, segundo estas diferenças de custos, e não por machismo corporativo.

Eu sempre preferi contratar uma mulher mesmo com o mesmo salário, o que já é uma discriminação neste caso a favor. Subordinado macho é sempre uma encrenca a mais.

Na realidade, os 9% de diferença de salários são custos adicionais impostos por leis feitas por pessoas que nunca trabalharam numa empresa na vida.

Ou talvez, seja uma conspiração de jornalistas masculinos.

Ao publicarem que mulheres ganham 30% a menos, elas aceitarão ganhar 20% a menos, como jornalistas, de bom grado.

Assim, eles pagam menos e ficam rodeados de mulheres.

Brilhante!


terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados

Os europeus e os norte-americanos comemoram o Dia dos Namorados no Dia de São Valentim, em 14 de fevereiro, data de sua morte. O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.

Além de continuar celebrando casamentos, ele se casou secretamente, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como "Seu Namorado" ou "De seu Valentim".

O dia 14 de fevereiro também marca a véspera da Lupercalia, festa anual celebrada na Roma antiga em honra de Juno, deusa da mulher e do matrimônio, e de Lupércio (ou Lupercus, o equivalente a na Mitologia Grega), deus da natureza. Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade (!).

Na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do(a) amado(a).

Mesmo na antiguidade, o Dia dos Namorados tinha uma motivação mais nobre do que aqui. No Brasil, em 1949, uma loja de departamento paulistana procurou o publicitário João Dória. O desafio era bolar uma forma para aquecer as vendas durante o mês de junho, então um dos menos lucrativos para o comércio. O publicitário teve a sacada de criar o Dia dos Namorados.

 A justificativa de Dória para escolher 12 de junho é que o dia antecede o Dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Em 12 de junho de 1949 aconteceu o primeiro Dia dos Namorados do Brasil e não chamou muito a atenção, apesar de uma enorme faixa estendida em frente à loja: "Não é só de beijos que se prova o amor". Demorou mais de uma década para pegar, mas deu certo: hoje, é a terceira data mais pujante para o comércio brasileiro, perdendo apenas para o Natal e o Dia das Mães.

Enfim, tem gente que namora o dinheiro.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Arrependimento


O erro é um fato na vida de todos. Não há um ser humano que não tenha cometido um erro no decorrer de sua vida. Quando nos damos conta dos nossos erros, logo vem o arrependimento.

 "Porque todos tropeçamos em muitas coisas" - Tiago 3:2
 
Do grego μεταμέλεια, Metanóia (Meta = Mudança, Nóia = Mente), arrependimento quer dizer Mudança de Mentalidade. Freqüentemente, o catalisador dessa mudança é a dor, como nos ensina o poeta italiano Giacomo Leopardi: "É possível repousar sobre qualquer dor de qualquer desventura, menos sobre o arrependimento. No arrependimento não há descanso nem paz, e por isso é a maior ou a mais amarga de todas as desgraças".

No entanto, vale ressaltar que tal dor é vã, se não vier acompanhada também de uma mudança de atitude. É preciso que sejamos dignos de nossa dor. Dostoiévski afirmou uma vez: "Temo somente uma coisa: não ser digno do meu tormento". O arrependido verdadeiramente percebe e se sensibiliza das conseqüências ruins que seus atos causaram para outras pessoas.

Essa sensibilização à dor alheia leva o arrependido a uma tristeza verdadeira pelo dano sofrido pelos que prejudicou. E, como conseqüência, deve fazer o arrependido tomar uma firme decisão de não mais cometer o mesmo erro, para não mais causar mal aos outros. O arrependimento pode assim, também, ser considerado como a dor sentida por causa da dor causada.

Fonte: Wikipedia

Crédito dos quadrinhos: MenTirinhas

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Regra de Ouro

Budismo:
Não firas os outros de um modo que não gostarias de ser ferido. 
Udanda-Varqa 5:18

Zoroasterismo:
Aquela natureza só é boa quando não faz ao outro aquilo que não é bom para ela propria.
Dadistan-i Dinik 94:5

Judaísmo:
O que te é odioso, não faças ao teu semelhante. Esta é toda a Lei, o resto é comentário.
Talmude, Shabbat 31a

Hinduísmo:
Esta é a soma de toda a verdadeira virtude: trate os outros tal como gostarias que eles te tratassem. Não faças ao teu próximo o que não gostarias que ele depois fizesse a ti.
Mahabharata

Cristianismo:
O que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles.
Lucas 6:31

Islamismo:
Nenhum de vós é um crente até que deseje a seu irmão aquilo que deseja para si mesmo.
Sunnah

Taoísmo:
O homem superior deve apiedar-se das tendências malignas dos outros; olhar os ganhos deles como se fossem seus próprios, e suas perdas do mesmo modo.
Thai-Shang

Confucionismo:
Eis por certo a máxima da bondade: não faças aos outros o que não queres que façam a ti.
Analectos XV,23

Fé Bahá'í:
Não desejar para os outros o que não deseja para si próprio, nem prometer aquilo que não pode cumprir.
Gleenings

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Arte

Existe alguma confusão a respeito do que a magia é realmente. Penso que isso possa ser elucidado se você apenas olhar as mais velhas descrições de magia. Magia na sua forma mais antiga é referida como "A Arte". Creio que isto seja completamente literal. Creio que a magia é arte, e que essa arte, seja a escrita, a música, a escultura ou qualquer outra forma é literalmente magia. A arte é, como a magia, a ciência de manipular símbolos (palavras ou imagens), para operar mudanças de consciência. A verdadeira linguagem da magia trata tanto da escrita como de arte e também sobre feitos sobrenaturais. Um grimório, por exemplo, um livro de feitiços, é simplesmente um modo extravagante de falar de gramática. De conjurar um encantamento. É somente encantar, manipular palavras pra mudar a consciência das pessoas. Eu acredito que um artista ou escritor são o mais perto do que você poderia chamar de um xamã do mundo contemporâneo.

Creio que toda cultura deve ter surgido de um culto. Originalmente, todas as facetas de nossa cultura, sejam as ciências ou as artes, eram territórios dos xamãs. O fato é que, nos dias atuais, este poder mágico se degenerou ao nível de entretenimento barato e manipulação. Atualmente, quem usa o xamanismo e a magia para dar forma a nossa cultura são os publicitários. Em lugar de despertar as pessoas, o xamanismo é usado como um opiáceo, para tranqüilizar as pessoas, para fazê-las mais manipuláveis. A sua caixa mágica, a televisão, com suas palavras mágicas, seus slogans, pode fazer com que todos no país pensem nas mesmas palavras e tenham os mesmos pensamentos banais exatamente no mesmo momento.

Em toda a magia há um componente lingüístico incrivelmente grande. A tradição mágica dos bardos os colocava num patamar muito mais elevado que os magos. Enquanto os magos poderiam fazer sua mão se mover de forma engraçada, ou fazer você ter um filho com um pé de pau, um bardo não te amaldiçoaria. Ele faria uma sátira, coisa que poderia te destruir. E se fosse uma sátira inteligente, não te destruiria somente aos olhos de teus colaboradores. Te destruiria aos olhos de tua própria família, e aos teus próprios olhos. E, se fosse uma sátira finamente elaborada e muito astuta, o bastante para sobreviver e ser recordada durante décadas ou mesmo séculos, então anos depois de tua morte as pessoas ainda leriam e ririam de tua ruína e do teu absurdo.

Os escritores e as pessoas que podiam comandar as palavras eram respeitados e temidos como gente que manipulava a magia. Nos últimos tempos, creio que os artistas e escritores têm permitido serem vendidos, sendo levados pela maré. Aceitaram a crença predominante de que a arte e a escrita são simplesmente formas de entretenimento. Não são vistas como forças transformadoras que podem mudar um ser humano, que podem mudar uma sociedade. São vistas simplesmente como entretenimento, coisas com as quais podemos ocupar vinte minutos ou meia hora, enquanto esperamos morrer.

Não é o trabalho de um artista dar ao público aquilo que o público quer. Se o público soubesse o que quer, eles não seriam o público, e sim o artista. É o trabalho de um artista dar ao público o que ele necessita.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Magia do Natal e o Ano Novo

Quantas vezes tentamos ser perdoados; ou tentamos mudar nossa postura com relação à um amigo com o qual não conseguimos entrar em entendimento e essa pessoa não se mostra disposta a mudar? E quantas vezes alguém pede perdão e nos endurecemos com essa pessoa, pois estamos vivendo momentos distintos; uns vivendo momentos de paz e outros, momentos de tormentos e incertezas?

**********

Em exatamente um ano, no dia 21 de dezembro de 2012, o mundo acabará (ou não). O fato é que a famosa data do calendário maia marca o fim de uma era, da mesma maneira que o fim do ano marca para nós o fim de um ciclo. 2011 está chegando ao fim e com ele devemos deixar também as desavenças que lhe pertencem.

E é aí que entra a Mágica do Natal. O Natal, através de seu clima festivo, suas confraternizações e trocas de presentes, deixam nossa alma imbuída de uma pequena centelha do Espírito do Cristo. E esse estado de espírito atinge nessa época do ano muito mais pessoas simultaneamente do que em qualquer outro evento anual. É portanto o Ano Novo, o momento propício para o recomeço, uma vez que as pessoas estarão em sintonia de vibrações de paz e, conseqüentemente, mais inclinadas a mudar e a ceder. Esse argumento encerra também aquela velha questão: por que devo passar meu final de ano com um parente ou amigo com o qual discuti o ano todo? Para dar e receber o perdão, ato que é tão importante para nós que está presente na oração que Jesus nos ensinou.


Aproveitem a janela de paz que se abrirá nas cortinas do tempo para dar uma oportunidade ao perdão. E façam desse perdão as bases de um Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Hedonismo

Eu li em um dos livros do Ruy Castro que, ainda mais legal do que unir o útil ao agradável, é unir o agradável ao agradável. A exaltação do desfrute.

Há tempos venho ruminando sobre isso.

Conheço muitas pessoas que vão ao cinema, a boates e restaurantes e parecem eternamente insatisfeitas. Até que li uma matéria com a escritora Chantal Thomas na revista República e ela elucidou minhas indagações internas com a seguinte frase: "Na sociedade moderna há muito lazer e pouco prazer".

Lazer e prazer são palavras que rimam e se assemelham no significado, mas não se substituem. É muito mais fácil conquistar o lazer do que o prazer. Lazer é assistir a um show, cuidar de um jardim, ouvir um disco, namorar, bater papo. Lazer é tudo o que não é dever. É uma desopilação. Automaticamente, associamos isso com o prazer: se não estamos trabalhando, estamos nos divertindo. Simplista demais.

Em primeiro lugar, podemos ter muito prazer trabalhando, é só redefinir o que é prazer. O prazer não está em dedicar um tempo programado para o ócio. O prazer é residente. Está dentro de nós, na maneira como a gente se relaciona com o mundo.

Chantal Thomas aborda a idéia de que o turismo, hoje, tem sido mais uma imposição cultural do que um prazer. As pessoas aglomeram-se em filas de museus e fazem reservas com meses de antecedência para ir comer no lugar da moda, pouco desfrutando disso tudo. Como ela diz, temos solicitações culturais em demasia. É quase uma obrigação você consumir o que está em evidência. E se é uma obrigação, ainda que ligeiramente inconsciente, não é um prazer.

Complemento dizendo que as pessoas estão fazendo turismo inclusive pelos sentimentos, passando rápido demais pelas experiências amorosas, entre elas o casamento. Queremos provar um pouquinho de tudo, queremos ser felizes mediante uma novidade. O ritmo é determinado pelas tendências de comportamento, que exigem uma apreensão veloz do universo.

Calma. O prazer é mais baiano.

O prazer não está em ler uma revista, mas na sensação de estar aprendendo algo. Não está em ver o filme que ganhou o Oscar, mas na emoção que ele pode lhe trazer. Não está em faturar uma garota, mas no encontro das almas.

Está em tudo o que fazemos sem estar atendendo a pedidos. Está no silêncio, no espírito, está menos na mão única e mais na contramão. O prazer está em sentir. Uma obviedade que merece ser resgatada antes que a gente comece a unir o útil com o útil, deixando o agradável pra lá.

Fonte: Texto de José Arreguy Pimentel que circula pela web há alguns anos, mas ao contrário de boa parte desse tipo de texto, é muito profundo.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Defeitos Genéricos

A chegada do frio traz consigo uma onda de doenças, sobretudo as respiratórias. Mas nenhuma delas é párea para a "virose". Está com tosse? É virose. Diarréia? Virose. Cefaléia? Virose! A virose é o que se pode chamar de diagnóstico de amplo espectro; um santo remédio para a dor de cabeça dos médicos. O paciente foi diagnosticado, não há muito o que possa ser feito e vai embora conformado em esperar os anticorpos reagirem.

A medicina não é a única área do saber que se utiliza da obscura técnica de disfarçar o não saber. No jornalismo esportivo, o "nó tático" é boa justificativa para o por que do revés no jogo. Em economia, o "mau humor do mercado" explica (!) por que perdemos dinheiro.

Na informática, o equivalente para a virose é a queda do servidor. "Alô, não estou conseguindo acesso". "Sinto muito senhor, o servidor caiu". Ninguém está disposto a verificar milhares de linhas de código atrás de encontrar um pequeno vazamento de memória que, com o passar dos dias, resulta na queda da aplicação. É mais fácil reiniciar o servidor de tempos em tempos e o problema "desaparece". Esquecemo-nos que, às vezes, os sintomas não desaparecem por si só. O HPV é uma virose que está relacionada com o câncer de colo do útero. Também, reiniciar o servidor pode não resolver o problema. Segundo a Folha de São Paulo, a Telefônica confirmou um problema de conexão em São Paulo que prejudica inclusive os registros da polícia. O prazo para normalização é indefinido.

Você e eu sabemos porque isso acontece. Falta "vontade política".

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A Segunda Maçã [1]

A falência dos matrimônios, baixos salários e uma geração alienada são as conseqüências do segundo fruto proibido, colhido da árvore da revolução feminista, que infligiu às mulheres o gosto amargo do mercado de trabalho.

É imprescindível salientar que a revolução feminista rendeu às mulheres importantes avanços sociais como o direito à educação e ao voto [2]. Entretanto, colocou um vasto contingente de pessoas no mercado de trabalho, desconsiderando Adam Smith e sua Lei da Oferta e da Demanda, que diz que a oferta pode aumentar ou diminuir de preço conforme varia a quantidade ofertada. Diminuiu-se o salário dos homens e as mulheres, com o pressuposto de que teriam quem as sustentassem, recebiam ainda menos. O mercado de trabalho abriu as portas para as mulheres sobretudo durante o período das duas grandes guerras; com grande parte dos homens envolvidos nos confrontos, as mulheres ocuparam os postos de trabalho vagos.

Diferentemente do Éden, dessa vez o pecado não fora o fruto em si, mas o que motivou a mulher a comê-lo: a idéia da mulher ser um suporte à vida do homem. Influenciadas por publicações como O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, que pregava a existência de uma hierarquia entre os sexos, as revolucionárias criam que trabalhando, o divórcio seria financeiramente sustentável e não seria preciso carregar o fardo de se ter um marido. Faltou-lhes a observação de que ambos os gêneros se suportam, "pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá outro que o levante." (Eclesiastes 4:10)

Em suma: o casamento passou a ser visto como dispensável. As pessoas aceitaram viver com menos para viverem sozinhas. Para aqueles que insistem no casamento e numa vida confortável, resta aos cônjuges o trabalho. E quem educa as crianças é a televisão, com toda sua estupidez e sua futilidade.

Ainda como reflexo dessa situação, vemos uma mudança comportamental e novos papéis sociais de homens e mulheres. É necessário um revezamento de funções no papel de pai e mãe. Tal inversão de papéis casa perfeitamente bem com a homogeneização dos sexos que é tão politicamente correta e socialmente aprazível. Criam-se cada vez mais, indivíduos sem personalidade sexual, ao mesmo tempo em que surgem clamores por homens viris. A sociedade extirpa o órgão do corpo e exige dele a sua função.

Lamento. Não se fazem mais homens como antigamente e Amélia é que era mulher de verdade.

P.S.: Não tenho razões para crer que o mundo seria um lugar melhor caso nunca tivesse existido a revolução feminista. A humanidade e o capitalismo voraz teriam nos trazido às mesmas condições salariais e a problemas sociais distintos. E eu estaria aqui (ou em algum outro lugar) reclamando do mesmo jeito, só que de outra coisa.

[1] A bíblia em momento algum coloca a maçã como o fruto proibido do Éden. A maçã é citada no título apenas por ser vulgarmente (porém, incorretamente) associada ao pecado original.

[2] O objetivo dessa postagem não é criticar a posição das mulheres que aderiram à revolução feminista. Eu mesmo, fosse daquele tempo, muito possivelmente teria apoiado o movimento; todavia, fundamentado em outras motivações.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Não Cobiçarás o Homem do Próximo

O homossexualismo é o assunto da moda: telenovelas têm sempre um casal homossexual; a indústria lança produtos voltados à esse público; e políticos apóiam a causa gay.

O que há em comum entre eles? Todos estão interessados exclusivamente na causa própria. Telenovelas envolvidas na guerra pela audiência notíciam de tempos em tempos o "beijo gay". A indústria lança produtos de olho nesse valioso nicho de mercado. E, como não poderia deixar de ser, também os políticos tentam conquistar ou reconquistar os votos desse eleitorado para si ou para seus coligados. A excessão é a igreja cristã, que, pautada na bíblia, condena o comportamento homossexual [1].

Como cidadão, não aprovo essa conduta hipócrita. E, paradoxalmente, embora não seja contra essa parcela da população, recrimino o protecionismo dado a ela por considerá-lo anti-democrático e nocivo à sociedade. Ao tentar se aproximar deste grupo segundo interesses próprios, esses órgãos supra-citados, acabam pôr distingui-los e essa distinção como um grupo diferenciado de indivíduos, acaba gerando mais discriminação.

O equilíbrio entre a condenação religiosa e a hipocrisia está na condição do Brasil de estado laico. O termo laico remete-nos, obrigatoriamente, à idéia de indiferença, neutralidade. E é justamente essa neutralidade que quase nunca é respeitada no Brasil, seja na polêmica das cotas nas universidades, seja na questão dos direitos dos homossexuais.

Portanto, cabe ao Estado, valendo-se do preceito da analogia, legislar sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, bem como sobre a adoção de crianças por casais homossexuais. Para o casamento religioso, que cada igreja aja segundo seus próprios critérios. E que Deus separe o joio do trigo.

P.S.: Agradeço ao bom amigo Garcia Filho pela ajuda na redação desse estudo.

[1] Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. (Levítico 20:13)

Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. (1 Coríntios 6:9-10)

quinta-feira, 27 de março de 2008

A Institucionalização da Burrice

Fui chamado de bom, de bonzão, e isso é mau. Uma palavra que deveria ser usada para designar uma virtude pessoal foi usada de maneira oposta, em tom jocoso.

Essa inversão de valores é cada vez mais freqüente. Aquele que tem apreço pela leitura é nerd; o que não estuda é cool. Ter inteligência torna o indvíduo impopular numa terra em que a pobreza é sinônimo de humildade. Educação e riqueza aumentam as possibilidades de desenvolvimento, mas agridem. Uma pessoa culta e bem sucedida rompe um implícito pacto de mediocridade que limita o já estreito senso crítico do povo brasileiro.

O governo por sua vez, através de mecanismos como a aprovação automática nas escolas públicas, me faz crer que não pretende mudar essa deturpação de conceitos já institucionalizada. Um povo inculto é dócil politicamente e, tendo orgulho da condição, não faz por mudá-la.

Não é de se espantar que isso ocorra em uma República onde o presidente gaba-se de ser semi-alfabetizado. Semi-alfabetizado para ele. Eu, que prefiro insultar, o considero semi-analfabeto.

Para finalizar: no sentido em que foi dito, ser bom é relativo, isto é, depende do referencial. E o referencial é péssimo.