sexta-feira, 8 de junho de 2012

Espinhos

 
Por que o amor é assim.

Vi no MenTirinhas.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética

A filosofia hermética assume-se como uma das facetas mais importantes do pensamento de Fernando Pessoa. Se é verdade que é na obra poética que se dá a grande realização de Fernando Pessoa, não é menos verdade que a contínua reflexão filosófica e religiosa, é uma faceta igualmente importante que convém revelar.

Em certos poemas de Alexander Search, o heterônimo juvenil, revela-se já o interesse pelo ocultismo.

O ocultismo é precisamente uma das chaves da pluralidade de que ele se reclama.

"Todos os que pensam ocultistamente criam em absoluto todo um sistema do Universo, que fica sendo real. Ainda que se contradigam: há vários sistemas do universo, todos eles reais" (Textos Filosóficos I).

Um dos seus projetos de conto, arquivado no espólio, tem precisamente por título "O Filósofo Hermético". Aqui define o oculto "como o interno, a outra face das coisas", e diz ainda que o oculto "significa o que não é presente, o que não é atual... o que já passou, o que virá a ser e também o que é, mas nós não o conhecemos".

A criação literária é para Fernando Pessoa, uma das faces do mistério iniciático. Mistério que se encontra subjacente na Mensagem, na heteronímia, no diálogo entre os vários poetas.

A iniciação única e sempre a mesma, que se encontra no pensamento filosófico, como na atividade literária é a do desdobramento que na criação se verifica desde o primeiro ser. Desdobramento, multiplicação, que depois de assumidos e esgotados permitem a unidade pela transcendência.

Em Essay of Initiation ele identifica transcendência com a fusão de toda a poesia lírica, épica e dramática: "O meu destino pertence a outra lei...", escreve numa carta a Ofélia.

A perfeição, para os gnósticos supõe a androginia, o regresso ao estado de pureza original do Éden.

A energia sexual deve ser canalizada para outros tipos de atividades. No poema Eros e Psique (1934) apontará uma via e uma revelação (com uma epígrafe tirada do Ritual do Grande Mestre do Átrio da Ordem Templária de Portugal).

Este gnosticismo, explica talvez parte da dificilmente explicável filosofia de Pessoa, que é hermética, mas numa multiplicidade de sentidos, apenas comparáveis aos múltiplos da heteronímia.

Explica também a recusa do casamento e a ausência da mulher na sua obra. "Sentir tudo de todas as maneiras" é um elo bem explícito, entre a filosofia hermética e a prática dos heterônimos, a maneira que tem de se entregar à multiplicidade até chegar à unidade, ao não-diferenciado.

A visão do mundo do poeta é altamente sincrética. A busca, como a iniciação, diz respeito a três ordens de coisas: primeiro, a verdadeira natureza da alma humana, da vida e da morte; segundo, a verdadeira maneira de entrar em contato com as forças secretas da natureza e manipulá-las; e por último, a verdadeira natureza de Deus ou dos Deuses e da criação do mundo (Esp. 54-97).

Fernando Pessoa revela-se venerador de um Deus-Mundo, de um Deus-Homem e um Deus-Deus-Reflexo do Espírito Santo, do Filho e de Si Mesmo "manifestação de si mesmo a si mesmo, hermafrodita espírito-matéria", segundo diz num apontamento sobre a Kabala (Esp. 54 A-20).

Assim, o simultaneismo da heteronimia é, um verdadeiro exercício espiritual não confessado: "Organiza a tua vida como uma obra literária, pondo nela toda a unidade que fôr possível" (Esp. 28-43).

A Ordem do Subsolo organiza-se à volta de um projeto, a criação de uma ordem interior "Ordem da Emoção", com os seus graus próprios. Os textos apresentados não passam de fragmentos ou projetos semi-alinhavados de ensaios que o poeta não chegou a acabar.

Faz a distinção entre "Ordem Interna" e "Ordem Externa", estabelecendo esquemas e correspondências entre duas ordens.

Faz também alusão a uma ordem de ciência ou de sabedoria que é a da emoção: "Há três ordens de scª: a da vontade, a da inteligência, a da emoção. A intuição é a inteligência da emoção [1]. Mas a emoção pura - eis a ciência".

Mais adiante escreve: "O mistério (que é tudo) não é comprehensível se não há emoção. A inteligência não pode compreender o mistério".

O Subsolo parece ser o esboço de uma estrutura simbólica servindo de suporte às ordens iniciáticas conhecidas, uma espécie de "assinatura", de "fundamento" de todas as que o poeta procurasse organizar. Ordem simbólica, para o seu entendimento contribui o texto em que se indica a gradação dos vários sentidos dos símbolo, literal, alegórico, moral, espiritual e divino. Para concluir que "numa cadeia racional, tudo é um" (Esp. 54-91).

Encontramo-nos em plena filosofia hermética.

São vários os documentos em que Fernando Pessoa se ocupa da Ordem do Templo, de que se disse filiado, afirmando que ela se encontra em "dormência" desde 1888 (data do seu nascimento). Herdeira da Ordem do Templo, surge em Portugal a Ordem de Cristo, cujo ideário é o mesmo.

No "documento 54 A-29 do Espólio, Fernando Pessoa refere-se ao celebrado Pymandro de Hermes [2]: O que está em baixo é como o que está em cima. Por esta citação se estabelece o elo (que ele deseja ser relacional, mas que não precisa de o ser, quando se trata do oculto) do Subsolo ao Átrio.

Pessoa diz que a organização das chamadas Baixas Ordens copia "guardadas as diferenças obrigatórias" a organização das Altas Ordens.

As Ordens do Átrio iniciam por meio de símbolos as Ordens do Claustro, superiores às primeiras, por meio de chaves herméticas, e as Ordens do Templo "iniciam plenariamente - isto é, dizendo e explicando os mystérios" (Esp. 54 A-95).

Ao adepto são pedidas várias vitórias: a vitória sobre o Mundo, a vitória sobre a Carne, a vitória sobre o Diabo (Esp. 53-59/60). Mas no fim do caminho, descobre que "terá o que sempre teve", isto é, que nada lhe é dado exteriormente que ele já não possua primeiro interiormente.

Este é o sentido místico de toda a iniciação. Dá-se "no Ego Íntimo" (Esp. 53-78), em quem morrer o mundo, a carne, o diabo (a tentação de ambos) e que ressurge para uma vida nova, esclarecida, iluminada.

Para Pessoa "a vida é uma symbolologia confusa" (Esp. 53 B-79) e nada deve ser tomado como definitivamente conhecido. Existe sempre o perigo do erro e da ilusão.

Desenvolve ainda a ideia de que a iniciação tem a ver com alma, sendo "uma espécie de nova região por onde a alma se transforma" (Esp. 53 B-83).

Os graus de inciação representam estados de conhecimento que são simultaneamente estados de vida. Quando se consegue esta união de verdade, o inferior liga-se ao superior, ou seja, o inferior revela-se o superior, pois tudo é um [3].

A maçonaria é para Fernando Pessoa, "uma vida", mais do que uma sociedade ou uma Ordem. O objetivo final que se pretende atingir é, na sua opinião, a sabedoria e não um Grau. Entendido pela intuição (que é a inteligência da emoção, como ele diz), o significado dos símbolos ritualmente recebidos, o adepto transforma-se em filósofo.

Ao filósofo ele aconselha como regra o silêncio, o estudo e o trabalho. E que organize a sua vida "como uma obra literária pondo nela a maior unidade possível" (Esp. 28-43).

Diz contudo que "o significado real da iniciação é, para este mundo em que vivemos um símbolo e uma sombra, que esta vida que conhecemos pelos sentido é uma morte e um sono, ou, por outras palavras, que o que vemos é uma ilusão" (Esp. 54 A-55). A iniciação é o dispersar desa ilusão.

Confia-se sobretudo no estudo e na intuição. A intuição é reveladora de conteúdos profundos e espirituais. Permite "a união com deus" de que se fala (Esp. 54 A-63).

Aquele que procura iniciar-se torna-se adepto da Ordem Interior, despido de preconceitos dogmáticos. Dos três caminhos à escolha poderá seguir o místico, o mágico e gnóstico (no entanto, a verdadeira iniciação inclui os três).

Os graus também são três: Neófito, Adepto, Mestre, ou melhor, são dez: quatro em Neófito, três em Adepto e três em Mestre. O Neófito é essencialmente um estudioso. No Adepto há o progresso da unificação do conhecimento com a vida. No Mestre há a destruição desta unidade por via de uma unidade mais alta. (Esp. 54 B-17)

Diz ainda Pessoa que escrever poesia é o objetivo da iniciação. O grau de Neófito será a aquisição dos elementos culturais com que o poeta terá de lidar ao escrever poesia; o grau de Adepto será o de escrever simples poesia lírica; o grau e Mestre será o de escrever poesia épica, poesia dramática; e a fusão de toda a poesia, lírica, épica e dramática, em algo de superior que as transcenda (Esp. 54 B-18).

Fernando Pessoa encontra na poesia hermética uma via para o instruir sobre a natureza do homem (e da arte, como sua mais elevada dimensão), a natureza do Universo e Deus.

Alcança deste modo uma forma de sabedoria, em que, segundo as palavras do livro do Desassossego, resta a literatura, que é a única verdade, com o pensamento, que é afinal a única maneira de conhecer e sentir, em que a escrita (a sua obra literária) é a grande revelação.

[1] Pessoa definia a inteligência da emoção antes da chamada inteligência emocional de Daniel Goleman.

[2] Hermes Trismegisto, o três vezes grande. De Hermes deriva o termo hermetismo/hermético.

[3] Entendo isso como sendo o equivalente de, ao invés de descermos até o inferno, façamos o inferno subir até nós.

Fonte: Universidade Fernando Pessoa

domingo, 3 de junho de 2012

Sobre a Infelicidade e o Sofrimento

A felicidade não é deste mundo. Certamente, o Divino Mestre sofreu ao carregar a cruz ao Calvário. No entanto, o que o sustentava no trajeto era o significado do Seu sofrimento. Havia um "por que" sofrer (neste caso, toda a humanidade).

Não façamos apologia ao sofrimento: o sofrimento vão é masoquismo. Já o sofrimento, quando dotado de um "por que" ganha um sentido heróico, como o sofrimento de Jesus. É preciso pararmos de buscar uma vida plena de felicidade sob o risco de a atingirmos sob o efeito de drogas, como o Lexotan.

A infelicidade não é sintoma de desajuste. Ao contrário: é o contraste, as trevas, que nos dão a capacidade de distinguir a luz.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

E.T. O Extraterrestre

O filme E.T. O Extraterrestre celebra seu aniversário de trinta anos com uma primeira edição em blu-ray que será lançada no mês de outubro, conforme anúncio da Universal Pictures.


Remasterizada digitalmente e com som 7.1, a edição especial inclui também uma cópia digital e outra em DVD, além de uma entrevista recente com o diretor Steven Spielberg e os Diários de E.T., que mostram mais de uma hora de material inédito sobre a filmagem.

Em 1982, E.T. O Extraterrestre se tornou o maior sucesso de bilheteria do ano, estreando em primeiro lugar em todos os países onde foi exibido, e foi indicado a nove prêmios Oscar, conquistando o de Melhor Trilha Sonora [1], Melhores Efeitos Especiais, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Som.

É, sem dúvida alguma, um dos filmes mais especiais para mim, tendo sido inclusive, o primeiro filme que eu, então um garotinho de seis anos, vi no cinema. A sensação foi tão incrível que vive na minha memória até hoje.

Uma pena essa ótima notícia coincidir com as novas regras para envio de blu-rays ao Brasil pela Amazon.com.

[1] Do gênio John Williams.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Os Deputados Somos Nozes

A etimologia da palavra "senado" nos remete à Roma Antiga; vem do latim senatus, a "assembléia dos anciões". Já a palavra "deputado" vem de deputatus, que significa "designado para purificar ou resolver uma situação". Não vou escrever o que estou pensando pois acredito que o(a) leitor(a) esteja pensando o mesmo que eu; e sim, trata-se da mesma raiz da palavra.

Historicamente, os deputados são os representantes do povo e devem expressar sua vontade e agir como tal. E comportam-se de maneira idêntica à maneira que parte significativa do povo agiria: enriquecendo ilicitamente, gozando de informação privilegiada, prevaricando e sendo nepotista.

Da mesma forma, assim como os seus representados, muitos são ignorantes. Alguns candidatos que foram submetidos aos testes da Justiça Eleitoral para comprovar a capacidade de ler, escrever e interpretar, continuam na disputa, mesmo tendo respondido alguns absurdos nas provas.

 
A câmara e a assembléia são uma imagem do povo. Quer melhorar o quadro político? Comece melhorando a si mesmo. Afinal, no fundo, os deputados somos nozes.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Arrependimento


O erro é um fato na vida de todos. Não há um ser humano que não tenha cometido um erro no decorrer de sua vida. Quando nos damos conta dos nossos erros, logo vem o arrependimento.

 "Porque todos tropeçamos em muitas coisas" - Tiago 3:2
 
Do grego μεταμέλεια, Metanóia (Meta = Mudança, Nóia = Mente), arrependimento quer dizer Mudança de Mentalidade. Freqüentemente, o catalisador dessa mudança é a dor, como nos ensina o poeta italiano Giacomo Leopardi: "É possível repousar sobre qualquer dor de qualquer desventura, menos sobre o arrependimento. No arrependimento não há descanso nem paz, e por isso é a maior ou a mais amarga de todas as desgraças".

No entanto, vale ressaltar que tal dor é vã, se não vier acompanhada também de uma mudança de atitude. É preciso que sejamos dignos de nossa dor. Dostoiévski afirmou uma vez: "Temo somente uma coisa: não ser digno do meu tormento". O arrependido verdadeiramente percebe e se sensibiliza das conseqüências ruins que seus atos causaram para outras pessoas.

Essa sensibilização à dor alheia leva o arrependido a uma tristeza verdadeira pelo dano sofrido pelos que prejudicou. E, como conseqüência, deve fazer o arrependido tomar uma firme decisão de não mais cometer o mesmo erro, para não mais causar mal aos outros. O arrependimento pode assim, também, ser considerado como a dor sentida por causa da dor causada.

Fonte: Wikipedia

Crédito dos quadrinhos: MenTirinhas

terça-feira, 29 de maio de 2012

Reforma Íntima

Muitos são os motivos que nos levam à Casa Espírita: Pelo amor, pela dor, convite de alguém, hoje pela razão, etc...

E o que acontece? Assistimos palestras, recebemos o passe, tomamos água fluidificada e vamos embora. Somos espíritas apenas dentro da Casa Espírita, estas atitudes irão se repetir por longo tempo. Mas à medida que vamos estudando e compreendendo melhor os ensinamentos espíritas, sentimos que necessitamos nos integrar mais nas ações de reforma moral da sociedade, e nada melhor para fazermos isso do que iniciando por nós mesmos, ou seja, que sejamos espíritas na convivência com o mundo, e isso nos leva à nossa reforma moral.

Todo espírita estudioso caminha neste sentido, porque compreende que o Espiritismo como filosofia busca atingir o seu mais nobre objetivo, que é a reforma moral da criatura.

A grande maioria dos livros escritos pelas vias mediúnicas são ricos de ensinamentos e verdadeiros tratados de saúde mental, com uma terapia baseada no Evangelho de Jesus e na Codificação Kardequiana.

Livros como: "Auto Conhecimento", "O Homem Integral", "O Ser Consciente", "Espelho D’alma", "Momentos de Renovação" e outros não necessariamente espíritas, nos indicam a importância da Reforma Íntima, ou renovação de atitudes, como fator essencial para alcançarmos o progresso moral e espiritual, visando à nossa felicidade relativa.

Duas afirmativas nos chamam à reflexão:

( 1 ) Renovação de atitudes:

Um jovem foi ao médico, queixando-se de dores abdominais. Tendo sido atendido pelo médico, este atencioso, realizou exames, fez entrevistas, e ao final chegou ao diagnóstico: Cirrose hepática, doença do fígado por ingestão de bebida alcoólica. Enfermidade conhecida e facilmente tratável, receitou um tratamento, onde o paciente deveria tomar uma medicação, fazer caminhadas diárias, ao final da caminhada realizar algumas ginásticas. O paciente saiu satisfeito pois veria-se livre de suas dores. Ao final de um mês, retornou novamente o paciente ao consultório médico, onde o doutor o atendeu solícito.

Ah, doutor! O tratamento não deu resultado, pois continuo a sentir dores. O profissional estranhou, pois tinha confiança em seu diagnóstico, mas voltou a examiná-lo.

_ O senhor tomou o remédio que lhe receitei?

_ Sim senhor doutor, certinho, três vezes ao dia!

_ O senhor fez as caminhadas para melhorar a circulação? 

_ Cinco quilômetros todos os dias doutor!

_ O senhor fez as ginásticas como recomendado?

_ Uma hora diária após as caminhadas doutor!

_ O senhor parou de beber?

_ Não doutor... doutor continua doendo...

A medicina terrena trata das enfermidades do corpo físico, o Espiritismo trata das enfermidades do espírito (estando ele encarnado ou não). O médico nos escuta, analisa, faz exames e nos recomenda um tratamento. A Casa Espírita, nos escuta, analisa, consola, e também nos recomenda mudanças de atitudes; mas esta vai mais além em nosso benefício, pois nos fornece o passe magnético, a água fluidificada e em alguns casos tratamentos de desobssessões.

Mas assim como no caso do paciente enfermo, se quisermos melhorar, cumpre que façamos a nossa parte mudando as nossas tendências negativas, ou ficaremos indefinidamente tomando remédios, realizando caminhadas, fazendo ginásticas, recebendo passes, tomando água fluidificada...

Emmanuel, em uma de suas mensagens no diz: "O pastor conduz o seu rebanho, mas são as ovelhas que andam com as próprias pernas".

( 2 ) Felicidade relativa:

(Em virtude da afirmativa de Jesus – "A felicidade não é deste mundo" Bíblia, Eclesiastes; e Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V, item 20). Analisando esta afirmativa do Cristo apenas pela letra que mata e não pelo espírito que vivifica, muitos apressados, inimigos do estudo e cultores do negativismo atribuem que estamos na Terra para sofrer, que este é um vale de lágrimas, aqui só há dores e aflições, etc. Semelhantes afirmativas são no mínimo equivocadas e inconseqüentes, pois espalham o desânimo, pessimismo, descrença, resignação incondicional. A nossa razão nos mostra que podemos e temos momentos felizes mesmo no estágio evolutivo em que nos encontramos, pois quem não fica feliz com um casamento? O nascimento do primeiro filho? Uma formatura? O primeiro emprego? No aniversário, receber aquele presente tão esperado? Jesus, profundo conhecedor, não iria contrariar as Leis Naturais, negando estes fatos. Ele se referia tão somente à felicidade plena, que é atributo apenas dos Mundos Felizes e Angélicos.

Sabemos então que para evoluirmos espiritualmente temos que realizar a nossa Reforma Íntima, mas algumas perguntas nos assaltam:

O que é Reforma Íntima? Ela deve ser compreendida como a chave mestra para o sucesso de sua melhora interior e, conseqüentemente, da sua felicidade exterior.

Para que serve? Renovar as esperanças interiores tendo por meta o fortalecimento da fé, a solidificação do amor, a incessante busca do perdão, o cultivo dos sentimentos positivos e a finalização no aperfeiçoamento do ser.

O que fazer? Realizar atos isolados, no dia-a-dia levando-nos a melhorar as nossas atitudes, alterando para melhor a nossa conduta aproximando-a tanto quanto possível do ideal cristão.

Por onde começar? Pela auto crítica.

Como fazer a reforma íntima? Bem...

Embora uma linha de pensadores espíritas entenda que os meios de o conseguir é obra e esforço de cada um, as obras literárias estão repletas de indícios e dicas.

Em "O Livro dos Espíritos" no capítulo Conhecimento de si mesmo, à pergunta 919, Allan Kardec questiona aos Espíritos:

( 919 ) Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

"Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo."

Allan Kardec, profundo conhecedor das deficiências humanas, investiga mais a fundo no desdobramento da questão acima.

( 919a ) Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar...(Santo Agostinho).

Parece resultar daí que o conhecimento de si mesmo é, a chave do progresso individual.
(esta é uma tarefa que compete a cada um individualmente)

Ocorre-nos lembrar de Benjamin Franklin, Estadista, escritor e inventor norte americano (inventor do para-raio, Boston 17-01-1706 - Filadélfia 17-04-1790).

Benjamin Franklin era um tipógrafo na Filadélfia homem fracassado e cheio de dívidas, achava que tinha aptidões comuns mas acreditava que seria capaz de adquirir os princípios básicos de viver com êxito, se pudesse apenas encontrar o método certo. Método este encontrado e relatado em seu livro a "Autobiografia de Benjamin Franklin" (1771-1788).

Benjamin Franklin, em sua juventude era um homem de muita inteligência e perspicácia, apesar de ter estudado apenas até o segundo ano primário. Era ávido por conhecimento e lia muito, estudava e escrevia ensaios e poesias. Estudava sobre tudo que lhe interessava, principalmente sobre os grandes vultos da história de todos os tempos. Por isso mesmo tinha uma grande cultura e um conceito moral muito rígido, e cobrava-se muito, bem como, cobrava aos outros a mais correta e ilibada conduta. Em suas reuniões sociais, tecia críticas francas e ácidas sobre todos os deslizes de seus colegas, sentindo um prazer mórbido em derrotar verbalmente aos seus oponentes, fato que ao longo do tempo foi deixando-o só e isolado nas reuniões a que eram "obrigados" a convidá-lo pelo seu cargo político.

Sentindo o peso deste isolamento, em conversa com um amigo muito chegado, comentou esta aversão das pessoas de seu convívio.

Tendo sido localizada a causa deste sentimento de aversão, com uma tenacidade que só as almas valorosas possuem, empreendeu luta acirrada ao combate às suas imperfeições.

Mas por mais que se esforçasse, controlava uma imperfeição mas caía invariavelmente em outra, quando esta outra recebia a sua atenção novo deslize fazia-o tropeçar, e a situação não avançava. Era como se estivesse tentando reter água com as mãos que, não obstante, escorria por entre seus dedos.

O isolamento continuava e até acentuava-se.

Lembrando-se das habilidades bélicas de Napoleão Bonaparte, que adotava a estratégia de "dividir para vencer", de espírito inventivo, Franklin imaginou um método tão simples, porém tão prático, que qualquer pessoa poderia empregá-lo.

Franklin escolheu treze princípios que julgava ser necessário ou desejável aprender e procurar praticar. Escreveu-os em pequenos pedaços de cartolina, com breve resumo do assunto, e dedicou uma semana da mais rigorosa atenção a cada um desses princípios separadamente. Desse modo, pode percorrer a lista toda em treze semanas, e repetir o processo quatro vezes por ano.

Quando passava ao princípio seguinte não esquecia os anteriores, e cada vez que se pegava em falha, fazia uma pequena marca no verso do cartão, assim no retorno àquele princípio dedicava maior atenção e esforço.

Manteve em segredo o que estava fazendo, pois receava que os outros se rissem dele. (é triste constatar que até aos dias de hoje nos vangloriamos de atos incorretos, falcatruas, engodos, vícios que cometemos, mas temos vergonha de admitirmos que estamos tentando melhorar praticando alguma virtude).

Ao fim de um ano Franklin havia completado quatro cursos, e constatou que já buscava com naturalidade o controle de suas falhas, apesar de estar longe de dominar com perfeição qualquer daqueles princípios.

Este procedimento deu tão certo que Franklin utilizou-o ao longo de toda a sua vida, embora mudando os princípios uma vez já tendo controlado aquela deficiência combatida.

Os treze princípios de Benjamin Franklin eram:

1. Temperança: Não coma até o embotamento; não beba até a exaltação.

2. Silêncio: Não fale sem proveito para os outros ou para si mesmo; evite a conversação fútil.

3. Ordem: Tenha um lugar para cada coisa; que cada parte do trabalho tenha seu tempo certo.

4. Resolução: Resolva executar aquilo que deve; execute sem falta o que resolve.

5. Frugalidade: Não faça despesa sem proveito para os outros ou para si mesmo; ou seja nada desperdice.

6. Diligência: Não perca tempo; esteja sempre ocupado em algo útil; dispense toda atividade desnecessária.

7. Sinceridade: Não use de artifícios enganosos; pense de maneira reta e justa, e, quando falar, fale de acordo.

8. Justiça: A ninguém prejudique por mau juízo, ou pela omissão de benefícios que são dever.

9. Moderação: Evite extremos; não nutra ressentimentos por injúrias recebidas tanto quanto julga que o merecem.

10. Asseio: Não tolere falta de asseio no corpo, no vestuário, ou na habitação.

11. Tranqüilidade: Não se perturbe por coisas triviais, acidentes comuns ou inevitáveis.

12. Castidade: Evite a prática sexual sem ser para a saúde ou procriação; nunca chegue ao abuso que o enfraqueça, nem prejudique a sua própria saúde, ou a paz de espírito ou reputação de outrem.

13. Humildade: Imite Jesus e Sócrates.

A quantos desejarem experimentá-lo, sugere-se analisarem-se, buscando aquelas deficiências mais comuns e corriqueiras, que sabemos possuir, ou as qualidades que não temos mas que gostaríamos de ter, adaptando o método às necessidades e interesses de cada um. Ao alcançar uma conquista, alterar a meta, buscando por outra, que vão surgindo ao longo do tempo, mas cuidando sempre para que não incorram em recaída.

Este não é o primeiro e nem será o último método inventado, que visa à melhoria das pessoas através da reforma íntima, mas com certeza, nos aponta mais uma alternativa palpável e simples, que está ao alcance de quantos tiverem a coragem e a vontade firme de empreender esta luta íntima na escalada evolutiva.

Não é um caminho fácil. Não existe caminho fácil. Mas é um caminho seguro.

Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", no capítulo XVII, Sede Perfeitos, Allan Kardec escreveu:

"Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações".

Na Bíblia em "O Novo Testamento", Tiago em suas epístolas nos adverte: "Fé sem obras é estéril".

Que Jesus nos ilumine e guie.

Muita paz.

Fonte: texto de João Batista Armani